Hidráulica: herança cultural milenar presente nos dias de hoje
in Água Hidráulica

Hidráulica: herança cultural milenar presente nos dias de hoje

Quem observa uma rede hidráulica atualmente, não percebe que ali estão quase 4 mil anos de uma história que começou na Babilônia.

“Quem olha para o céu estrelado está olhando para o passado”, diz o ditado, que nos chama a atenção para os anos-luz que nos separam dos astros que vemos brilhar. Muitas vezes eles já nem existem mais, mas a luminosidade ainda chega até nós.

A verdade desse ditado também é válida para quem olha para uma casa, um prédio, uma ponte, uma cidade, uma estrada, ou para qualquer outra realidade. Se você está olhando para algo hoje, está olhando necessariamente para o reflexo de um passado. Ainda que não tenha plena consciência disso.

Por exemplo: se você observa uma rede de esgoto, talvez não perceba que ali estão quase 4 mil anos de uma história que começou na Babilônia (onde hoje fica o Iraque). Se assiste a um processo de drenagem, assiste a uma parte do trabalho do grego Empédocles, que viveu cerca de 450 anos antes de Cristo. O mesmo vale para quem vê ou usa toda essa lista abaixo:

  • Bomba de pistão (200 a.C)
  • Aquedutos (150 a.C)
  • Termas (20 a. C)
  • Barômetro (1643)
  • Compressor de ar (1654)
  • Bomba centrífuga (1680)
  • Máquina a vapor (1690)
  • Bacia sanitária, inventada pelo inglês Joseph Bramah em 1775
  • Turbinas hidráulicas (1827)
  • Hélices (1836)
  • Usinas hidrelétricas (1882)
  • Turbinas a vapor (1884)

 

Também é iluminado pelo esforço intelectual de inventores e cientistas do passado quem vê e usufrui de qualquer conhecimento ou técnica ligados ao nosso tema em questão: a hidráulica.

Um pouco de história sobre a hidráulica

Formada pelas palavras gregas “hydro” (água) e “aulos” (condução), originalmente a palavra hidráulica significava “condução da água”. No entanto, como afirmam José M. de Azevedo Netto e Swami M. Villela no seu livro Manual de Hidráulica, “(…) é o estudo do comportamento da água e de outros líquidos, quer em repouso, quer em movimento.”

No volume 2 do Syntopicon das Grandes Ideias da Civilização Ocidental, no artigo sobre Mecânica, existe um tópico específico dedicado ao “equilíbrio e ao movimento dos fluidos”. E dentre os grandes autores que se dedicaram ao estudo do tema, lá estão listados Aristóteles, Galeno, Arquimedes, Galileu, Bacon, Pascal, Newton, Locke e Lavoisier.

Outro grande artista, cientista e inventor que dedicou seus estudos à hidráulica foi Leonardo Da Vinci, que desenhou bombas, tubos hidráulicos e escavadeiras para transportar água por diversos níveis. Em uma carta em que pedia emprego, se gabou de suas habilidades em “tirar água dos fossos” e “conduzir a água de um ponto a outro”. Em Milão, estudou os canais da cidade, suas vias fluviais, comportas, barragens, fontes e sistemas de irrigação. Fez furos em um barril para estudar a trajetória da água e a pressão dos jatos em diferentes alturas. “E, ao usar o conhecimento de como a água que flui de um cano provoca redemoinhos, conseguiu visualizar os vórtices no coração humano e como eles provocam o fechamento de uma válvula”, escreveu Walter Isaacson em sua biografia sobre Leonardo Da Vinci, publicada em 2017 aqui no Brasil.

Portanto, podemos concluir que graças ao esforço intelectual, capacidade inventiva e dedicação quase que obsessiva de pessoas como Da Vinci, podemos usufruir hoje dos conhecimentos e técnicas que recebemos como herança cultural milenar.