in Gestão

Controle de qualidade laboratorial pelas normas BPL e ISO 17025

Entenda a importância da capacitação profissional para o controle da qualidade laboratorial e para a gestão de laboratórios.

As Boas Práticas de Laboratório, ou Norma BPL, formam um sistema da qualidade que abrange o processo organizacional e as condições em que estudos são planejados, gerenciados, desenvolvidos, monitorados, registrados, arquivados e relatados. Esse sistema é de extrema importância para o controle de qualidade laboratorial.

Elementos, Processos e Objetivos para o controle de qualidade laboratorial

Entre os elementos da Norma BPL que integram o processo de Gestão de Estudo, que tem o objetivo de trazer confiabilidade ao processo, podemos destacar a infraestrutura (fontes e recursos), treinamento, organização, planejamento, análise crítica periódica e controle dos gargalos.

Já os que integram o processo de Monitoramento são: condições ambientais (onde são realizados os ensaios, descarte de resíduos/reagentes, substâncias, entre outras.

Por fim, os elementos que fazem parte do processo de Controle de Documentos e Registros são o planejamento, gerenciamento, execução, monitoramento, registro, arquivamento e relatório, tanto de ensaios quanto de estudos.

O objetivo dos processos de Monitoramento e Controle de Documentos e Registro é o de proporcionar rastreabilidade, importante característica para o controle de qualidade laboratorial.

As normas ISO e seus objetivos para o controle de qualidade laboratorial

Sistema Integrado EHS

  • ISO 9000: diretrizes de gestão para sistema de produção de produtos em conformidade a uma especificação.
  • ISO 14000: diretrizes de gestão dos riscos ambientais e ações de prevenção ou de contenção para processos produtivos.
  • Segurança e Saúde Ocupacional: diretrizes de gestão para segurança patrimonial, pessoal e de saúde no processo produtivo.

 

Confiabilidade e Rastreabilidade

  • ISO 17025: diretrizes de processo para estabelecer a competência, imparcialidade e operação consistente do laboratório.

 

Convergências e diferenças das normas ISO para o controle de qualidade laboratorial

» Riscos

Todas as normas ISO são baseadas em levantamento de riscos (aspecto e impacto nas operações da organização). Logo, é necessário haver uma conexão entre os sistemas.

» Medições

Elas também são baseadas em medições materializadas, que serão utilizadas como ferramenta de tomada de decisão entre os sistemas.

» Rastreabilidade

Todas as normas ISO utilizam a rastreabilidade como índice de desempenho da organização e como ferramenta de melhoria do processo, o que sustenta a base legal da atividade.

» Responsabilidade

Todas as normas requerem a responsabilidade de cada função e suas interações com as etapas subsequentes, tornando clara a parte gerencial da atividade.

» Confiabilidade Metrológica

Todas as normas são baseadas na confiabilidade metrológica ou na incerteza estimada às suas medições, relativas à parte científica da atividade.

» Tomada de Decisão

Todas as normas também têm como objetivo dar suporte às tomadas de decisão da organização, atuando como ferramentas de gestão de melhoria do processo.

» Competência da Equipe

Entretanto, a norma 17025 é a única que tem como objetivo a competência da equipe na condução de medições repetitivas ou rotineiras. É ela que imprime a confiabilidade no desempenho da atividade e permite o controle da qualidade laboratorial.

Por que é importante aderir às diretrizes da norma NBR ABNT ISO/IEC 17025:2017?

Aderir à norma NBR ABNT ISO/IEC 17025:2017 (clique aqui e saiba mais sobre a norma) é necessário para demonstrar a competência técnica da equipe do laboratório e ter segurança jurídica no desempenho das atividades acreditadas.

A rastreabilidade dos dados, provida pela norma, permite identificar a fonte do desvio da conformidade ou a não conformidade do trabalho. Portanto, é melhor identificar esta fonte e mitigá-la dentro do laboratório, antes de divulgar o “resultado materializado”. Caso contrário, a abrangência da ação deve ser ampliada.

Identificar potenciais fonte de desvios é uma atitude proativa e deve ser estimulada pela gestão. Logo, aderir às diretrizes da norma requer uma mudança de postura, principalmente no que se refere à responsabilidade e à autoridade em cada tarefa subsequente no laboratório.

Por que é tão difícil mudar?

A dificuldade da mudança é causada, principalmente, pelo nosso modelo tradicional de educação. Nele, fazer “o mesmo”, com “menos esforço” e em “menor tempo”, é sempre o nosso norte. Julgamos erroneamente que a repetição nos aprimora e que estamos constantemente ampliando nossos limites.

Mas esta “pseudo-segurança” nos faz assumir riscos desnecessários. Ela nos proporciona uma falsa sensação de domínio sobre nossas tarefas, transformando a confiança excessiva em uma potencial fonte de falhas. Essa “zona de conforto” nos leva a cometer erros.

Além disso, essa “pseudo-eficiência” determinou uma anomalia na nossa forma de escolher o que é importante: o principal é saber o que é importante, ou seja, ter critérios para selecionar o que nos importa. Acreditamos ser eficientes sem nos importar em sermos eficazes.

Veja a confirmação disso em uma situação simples do nosso dia a dia: decisões pessoais que possam afetar o trabalho da equipe, por exemplo, devem ser divulgadas à equipe. Mas quase sempre não são. Se pararmos para pensar, essa atitude causa diversos problemas.

E voltando à questão inicial, é difícil mudar pois não estimulamos nossa capacidade de escolher conscientemente. Nos falta critérios de seleção e estratégia para a tomada de decisão.

Por isso, é comum preferirmos ilusões ao invés de encararmos a realidade. Vale a reflexão…

 

Curso EAD ISO 17025